sábado, 8 de agosto de 2026

as 100 mais lindas músicas de amor

acordei mais cedo do que desejava. fui dormir 23:30h, com 3 gotinhas mágicas embaixo da língua.

antes das 6h meu corpo ja dava sinais de despertar. um pouco perdida, com a perspectiva da chegada da melhor amiga, fui preparar meu café da manhã. enjoada de fome, abri o celular, vi a mensagem da minha mãe apagada. 

desde ontem estou às voltas com o lugar da família na minha vida. inocentemente convidei Paulo e Lúcia, Cida e Ana, numa estranha tentativa de montar ali na festa o que seria "meu lado". os 4 ontem mesmo desconfirmaram presença. cada um com um motivo, todos verossímeis, mas sei lá.

chorei, pensando que talvez meus pais também pudessem faltar. acionei minha mãe, recebi palavras curtas e certeiras. enfim, ter uma mãe sempre foi algo que pude dizer que tive. acho que estou recolhendo os restos mortais dos meus pais, finalmente. 

Hoje eles estarão lá. Vivinhos, sentados nas suas devidas cadeiras. Lá e aqui. 

deschorei logo em seguida. Na simples recordação que a família do Rodrigo não foi minha família em nenhum momento. Não exatamente eles me repeliram. Eu que nunca os elegi. Não me deixaram pertencer, mas eu nunca dei espaço também. 

E essa sempre foi minha personalidade, alvo de tantas críticas de sheiloca. De que não dou a mínima para família, de que meus amigos vem em primeiro lugar. Hoje faço uma festa de casamento com Bruno. De todos os meus convidados, apenas minha mãe e meu pai são meus parentes de sangue. Todos os meus outros laços de afeto vieram dos meus amigos. 

Os primeiros anos da nossa vida são tão estruturantes né, menina?

Depois do meu café, fiquei um pouco perdida com o atraso da Sylvia, sem saber como ocupar o tempo. Adiantei tudo e sobrou tempo demais pra ficar ansiosa. Coloquei uma playlist de músicas românticas, e algo muito curioso se deu: cada música evocava um período da minha vida amorosa. Várias conquistas, várias dores, muitas pessoas. E cada memória foi se sobrepondo, e formando o que hoje encontro no espelho.

Estou gigante pra amar esse amor, amar amar esse homem que caminha comigo de mãe dada. 

[relato urgente desse 08/08/2026 inolvidable)




terça-feira, 11 de novembro de 2025

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

todos os dias aposto no que vejo para decidir a vida do agora em diante.

diálogos sem fim para resgatar, me convencer, me acalmar de que, se hoje estou sozinha, foi porque acompanhada caminhava em m'águas turvas.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

que falação no meu ouvido

e se confirma, então, a teoria de que o adiamento das palavras está num lugar de não querer esvaziar o prazer. ou não também, porque é bem perverso chamar de prazer o que andei sentindo nos últimos dias.

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ontem localizei que a falta não é dos amigos.
é do ruído. da baderna que os outros criam, e me distraem. e eu me traio. não há saudade do um a um.
no mesmo lugar, estão os podcasts. a falação do caralho no meu ouvido.
é que hoje acordei com redesejo da música. 
algum pudor me inibia, quando entendi também que era o medo de encarar mais um pouco (mais um) luto. me distanciar das obras que amo e pra onde elas poderiam me levar. 
o estado à deriva me enche de medo. medo de descobrir um novo grande amor chamado silêncio. sei que adio esse encantamento pelo vazio.

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eu cuido com carinho da casa que eu não moro mais. por devoção ou memória. por gratidão aos objetos que por mim foram escolhidos, e que hoje enfeitam um espaço que não me pertence. nunca me pertenceu. aprendi a viver bem com a mágoa, coabitar com o ressentimento. não que isso não cobre seu preço. 

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passei a tarde com o pai do meu filho. ex-marido, mas ainda companheiro. 

atravessamos a tarde juntos com assuntos áridos da nova vida. depois de uma tarde outra, há quinze dias atrás - que guardo com carinho na memória recente, preenchida com ares de amizade profunda e risadas que não cobram nada.

enterramos a tarde na mesma terra que cobria uma discussão ainda fresca na quarta-feira anterior. falas tão mobilizadoras, ao mesmo tempo tão padronizadas. o velho tom escalado rapidamente. (que azar, meu Deus, seria se meu filho tivesse mesmo se chamado Tom, e agora ele existiria em meio a tantas dores que esse texto exala). eu me acostumei com grosserias, seguidas de silencio curto e pedido de desculpas sem reflexão. 

e diante dessas palavras, reparo na velocidade dos eventos. mentira. e diante dessas palavras, começo a desmontar as peças do motor dos eventos. em tempos de escassez de assistência para engrenagens ímpares, minha alma existe nesse estado arrítmico há mais tempo que previ.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

não escrever começa a soar como uma evitação ao balanço que eu preciso fazer dos meus dias.

o pai, o trabalho, o trabalho que tenho graças ao meu pai. a carreira que tenho graças ao meu pai. o emprego que tenho graças ao meu pai. assistir este homem dispersar (ele mesmo acaba de me dizer essa palavra) é de uma grandeza daquelas redondas, de quando você se distrai e os olhos perdem o foco num ponto e você não enxerga mais ponto, só umas bolotas se sobrepondo.

acabo de receber a seguinte mensagem dele: "A mamãe sai de figura a partitura b com muita facilidade."

eu sei exatamente o que ele quis dizer. 

domingo, 8 de junho de 2025

você vai ver que esse disco vai exalar o cheiro deste agora.

dos dias apressados que fazem caber tristeza, desencontro, feitos modestos e passos duradouros.
dos dias em que não esquenta nem engata o frio.
de um tempo em que a felicidade tem sessenta cores, e que entre elas tem cor que explode no papel - saturada - e o urso, que era pra ser marrom, fica com uma poça de tinta azul bem entre o rabo e sua sacola de mercado.
e aí a gente tem que escolher uma cor que esconda o estrago.
mas logo depois todo mundo se acalma, pois adultos. sobretudo adultos pintando livros de ursinhos. que sabem e admitem que tem estrago bem maior nessa vida - e que volta e meia não tem tinta que cubra. 
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a vida se ajustando... e o grande medo do grande fim vem escutando pequenas perguntas que o diminuem mais em menos. 
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você já vê que a angústia guarda o lugar da palavra.
e saindo cabisalta, abre caminho pro que me é tão caro: escutar a melodia da memória.

quinta-feira, 6 de março de 2025

quando me deito, eu sei mais. penso na dor, nos medos, escolho o tema da minha próxima análise. rapidamente, por comparação, é claro, reconheço meu percurso, o quão mais sou capaz de ponderar.

flash de memória e volto atrás. relembro como ainda sofro de fantasias megalomaníacas de falta e pesar.

penso no jargão da psicanalista famosa, sobre realidade ser mais mansa que os medos idealizados. ou eu inventei isso? penso no título do livro dela, lembro do outro título mais antigo. me pergunto se são dois pra mesma obra, ou se um foi relançado. lembrei do texto que escrevi em 2021 parafraseando (vaidosa, pensei ‘plagiando’) a coisa de pisar no vazio. algum amigo postou a capa, e eu dei outro rumo. 

e dessa sequência de pensares, desse linchamento literário que ensaio começar, volto à angústia dos meus dois últimos dias que foram os primeiros na minha vida dentro da minha vida.

pela primeira vez, a vida eleita. e depois me pergunto porque choro tanto. estou recém nascida.

enfim, me embalo.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

mamãe querida

quando comecei a escrever essa cartinha tinha lá meus 8 meses. entre um choro e outro, lembrava de te agradecer por repetir tantas vezes que eu não te dava paz. agradecer pela sua fala risonha-nervosa diante da fralda vazada: "Sua xixi". algum tempo depois acrescentei mais uma memória carinhosa: me trancar num quarto fazendo cara de monstro. infinitos os momentos que eu pedia para você parar e nada acontecia senão você repetidamente achando graça de ter uma filha com medo de um monstro construído pela mãe. 

tivemos momentos mais comuns como o dia que precisei que um presidente de casa espírita te acalmasse para que você não me batesse por ter escrito na camisa no último dia de aula, do mesmo modo que todos os meus companheiros de sala - exceto os testemunhas de Jeová. eu tinha 6 anos.

a surra por ter medo de panela de pressão; eu me jogando na cama pra apanhar espontaneamente porque meu livro de português tinha sumido; 8 anos.

enquanto sigo essa carta, minha mão estremece de emoção e castração, na tentativa de inibir lembranças que o coração insiste em conservar. mas tenho acreditado na cura pela palavra, na cuspição danada que tem sido desde a ultima quinta em que eu ouvi dele "não recolhe sua trouxinha tão rápido". 

quando eu tinha 19 anos eu apanhei dormindo porque você julgou saber meu horário melhor que eu, e chamando de vadia preguiçosa eu fui despertada. achei que seria a última vez. não foi. porque sua palavra segue violenta quando você se vê mais perto da filha desconhecida ou ignorada. ofender até ficar pequenininha de novo. inibir. esconder a criação de si mesma. 

estou satisfeita.

 
passado o rubro outono
deu-se alegria em campo aberto
semeadura espontânea de colheita imediata
dos meus frutos antigos
redescobertos

armazenados em bom estado
galhos crescem no meu coração-corpo
como veias de cadencia desordenada
chamam atenção sem alarido
pintam em tons de terra as letras todas
marcam o solo castigado

tem-se aqui e então a poesia fértil
que o destino tratou de cultivar
em liberdade estranha e reconhecida
herança fraterna daquela morreu viva

quarta-feira, 19 de junho de 2024

virei uma avistadora de palavra
umas vem
pousam e partem
outras cagam na minha cabeça em sorte

visitam minha vida casa trabalho
por vezes batem no vidro do eDIFÍCIL espelhado que construí nos anos

avisto também as palavras das pessoas
admiro sua chegança
sua frequência de vir sempre pela manhã
alvor(oç)ando a vida delas com bater de poasas

não mais fazer
ver acontecer
contentar com as cores me atravessando
acreditar silenciar
esperar a história delas
todas encantadas
que não avisam mas se avistam
chegar

terça-feira, 2 de abril de 2024

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

finalmente

isso que se constrói é uma forma de delimitar esse aguaceiro.
não que as lágrimas sejam mal vindas - é que as palavras organizam o que precisa existir e não assenta.
mas preciso é não amansar
o que me atrai é movimento
me interessa então o não enfileiramento de ideias

portanto o que se constrói - pra que esse caminho?
qual é a busca quando me ponho diante de mim?
se não livramento; habitar. 
comungar do medo do enlouquecimento que me livra da coerência.
tornar-se maior na medida que os desassossegos me tomam.
aquele que se livra do desconforto em descarte é o que detém a insanidade.

sábado, 3 de junho de 2023

 é preciso reparar [n]este momento. 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

acordei cantando a enormidade que é a vida. 
e agora triste lembro do tanto que te chamei - e te vi - enorme.
me aninhei no teu tamanho, e você cresceu sobre mim em infinitos aspectos.
te fiz pai, mãe, avó, filho.
te coloquei em todos os lugares da minha vida.
inclusive no meu
te fiz grande sobre os meus olhos, me encolhi.
pra caber nós dois.
eu olho pra saudade do seu cuidado, e lembro que ele tinha um preço.
o preço de ser seu porto seguro a qualquer custo.
foi o produto que vendi pra você desde o começo. 
ser colo, ser ouvido, ser seio, corpo inteiro.
eu olho pra saudade do seu cuidado,
e lembro que enquanto era cuidada, me asfixiava.
um ano inteiro de falta de ar.
da paixão ao sufocamento.
sexo, condição, silêncio.
todos os dias o esforço era de me fazer útil.
e na primeira oportunidade de me colocar em condição de estorvo,
o chute.
a decepção, o sem sentido, a insegurança trazida sem trabalho.

por muito tempo ainda
escreverei textos magoados sobre a vida
como se a vida fosse você, mas não é.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

feita apenas para amar, para viver pelo seu amor e pra ser só perdão. foi ecoando a frase da infância até aqui. da sala para o quarto, do quarto para o caderno, pra folha solta na aula de literatura daquela escola cheia de vidro e inaugurações. para o olhar (minha piada) que seduz o menino nem feio nem bonito da mesa de trás. o amor possível. que é também inalcançável de exaustivo. amor do atropelamento, da derrocada do encantamento. amor que é qualquer palavra dita, que sua o corpo, que cantarola caetano no caminho pro trabalho. mas que também não é exatamente alguma coisa. é um apanhado de comportamentos que olhando de perto não sedimentam nada. 

uma hora dessas resolvi inventar que o amor acabou. 

uma conversa, duas, silêncios, cortes, cenas interrompidas, perguntas sem respostas ou respostas fora do tempo. despeje tudo em forma velha e voilà me encontrei sem alma. sem aquela cafonice de palavra coach que começa com P. carregando água na peneira não na vida toda graças ao bom deus que eu quase acreditei não acreditar. 

 a existência do ódio no nosso amor nunca foi um segredo.

sábado, 20 de maio de 2023

erguem-se memórias-desejos do que (nem foi bem assim) aconteceu.
palavras saem de mim a terceiros - que são quase primeiros, que são quase eu  - para contar as minhas invenções.
toda memória é inventada - foi o que ela me disse quando me neguei a trazer as histórias do amor primeiro.
-
está escuro aqui com muitas vozes ao mesmo tempo, e seus discursos de resgate da caverna que escolhi explorar - e digo explorar porque ia escrever entrar, mas me soou vitimado.
eternos instantes nessas últimas horas pra localizar uma fresta saída de onde ainda posso chegar - e digo chegar porque ia escrever pisar, mas me soou tirano.
na minha frente brotam almas velhas segurando minha mão. as vozes estão ficando roucas e escuto que preciso conhecer o futuro pelo presente. 
as vozes alarmam a correnteza que vem invadindo a caverna.
a caverna pertence à ilha.
a tal da ilha que ela me disse com mar revolto no intervalo entre a proxima. 
o mar que eu nado sozinha, ou que nado com uma bóia mais pesada que eu. 
atravessar águas.
ser atravessada.
ser arrastada.
imagem primitiva.
-
o amor primeiro
que recuso evocar.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

aquela última ida ao banheiro antes de dormir.

pensar o tempo todo. expandir, trazer à tona e esperar. dar conta de si, do outro, do pequeno e do maior de todos. listar problemas em papel, mente, no que leio do que escrevem, no ouvido de quem (não) presta (atenção), nas letras imantadas do brinquedo, no espelho embaçado do banho, no vidro do carro sujo do vizinho. importa que se tenha do que sofrer mais do que os próprios sofrimentos - que no apagar das luzes são substituídos na surdina por outros tantos mais ordinários que cabem sob a luz do sol. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

coração na barriga

[registro do amor que está se estrebuchando no asfalto cheio de medo de não ser socorrido.] todos os dias acordo com a verdade da sua existência e meu coração se acumula em sensações. todas as horas do dia desembocam em emoções para que - até o fim do tempo de qualquer natureza - eu viva de sentimento em sentimento a cada instante. o tempo do nosso encontro em meio à vida - já talvez pela metade - esfrega em mim um mundo imerso em esperança sem esperar absolutamente nada. [registro do amor que está se estrebuchando no asfalto cheio de medo de não ser socorrido.] 

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

você dançando, preenchendo a sala.

a vida te aconteceu e eu não te soube. não descobri se seu abraço era apertado ou distante. e não poderei ser a bajuladora-conquistadora-barata que olha nos olhos dizendo que cheiro bom você tem. porque eu te vejo naquela foto de cabelo bem branco bem curto, e ali sinto um perfume de sabonete muito gostoso. do banho pra receber gente em casa. não ficarei sabendo se virá de você a frase 'gostei dela' ou 'vamos vendo não é, meu filho?'. é um sem fim de perguntas. todas tão estranhas de se dizer em voz alta. resta a coragem apenas para uma: que lugar poderei ocupar sobre a tristeza da sua ausência repentina?

sinto saudade do que desejei descobrir de você. sinto falta de nunca ter te escutado falar da monja, de jesus, de religiosidade sem religião. de livros que nunca terei disposição pra ler, mas tudo bem porque você falaria deles com paixão e eu apre(e)nderia suas palavras ditas.

estou sentindo dor legítima. e é a dor da inutilidade. do ego gritando por não poder ser a presença do luto que reconhecem publicamente. o ombro que é todo do meu amor está vazio e não poderá acolhê-lo no momento exato-agudo-sufocante. desconheço sua voz. mas conheço a cada dia o que você entregou de mais gigantesco para a terra. meu muito obrigada por tanto.