domingo, 1 de novembro de 2009

Talvez esse não seja o melhor momento pra me expor.
Talvez nem tenha o que expor.
Talvez essa não seja eu.
Talvez eu nunca tenha sido alguma coisa.

Eu queria cavar, cavar até criar bolhas nas mãos e me enterrar.
Queria gritar. Quero. Eu grito.
Não funciona. A dor existe e sempre existirá. Não sei o que escrever, não sei como me colocar. E se não for pra colocar coisa alguma?

A vida parece que foi concretada. Parece que tem uma parede enorme erguida na minha frente; preciso de muito esforço pra saber o que há por detrás desse muro. Posso quebrá-la, posso escalá-la. Posso dar as costas e voltar. Posso sentar e esperar os anos passarem e todo aquele cimento ser decomposto. Ser erodido. Sofrer ações da natureza. Do tempo.

Tempo... Meu único e forte aliado. Meu melhor amigo.
Ele que vai me mostrar quem eu sou.
Quem eu quero ser.
Quem eu devo ser.

domingo, 4 de outubro de 2009

Enquanto eu terminava o único pedaço de pizza,
ele bebia um copo de leite
depois de seus dois pedaços
com a maioria das azeitonas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009


"Era enfim a vida real, com meu coração a salvo,
e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz
de qualquer dia depois dos meus cem anos"

(Gabriel García Márquez)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

solicitação

Produto acabado

Identificado

Mensurado

Pesado

D e s i n t e g r a d o


um bando

um riso

um descuido

perde-se a palavra,
a rima cala

a idéia falha.



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Abri os olhos
Fui ao banheiro fazer xixi
Sentei à mesa para tomar café
Banhei o corpo de forma preguiçosa
Vesti minha roupa displicentemente
Saí de casa para viver
Acordei.
Abri a casa para fazer xixi
Fui à mesa de forma preguiçosa
Sentei minha roupa para tomar café
Banhei o banheiro displicentemente
Vesti os olhos
Saí do corpo para viver.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Guia prático: Como fazer doer em 10 passos



Primeiro passo: Encontre alguém e deixa-se cativar.

Segundo passo: Dê apelidos únicos que te faça sorrir ao lembrar (p.ex. Teco, Doce-de-leite, Boriclaudo, ...) .

Terceiro passo: Comuniquem-se, falem ao telefone, mandem-se e-mails... E lembre que essa pessoa existe, várias vezes ao dia.

Quarto passo: Assuma seu amor. Diga coisas como "não vivo mais sem você".

Quinto passo: Comprem coisas iguais. Ou apenas copie o que o outro já tem (p.ex. mochila, chinelo, blusas de encontros - preferencialmente espíritas, pois são os que emocionam, os que mexem com suas fraquezas)

Sexto passo: Tenham vidas bem diferentes, sem horários que coincidam, de forma que quase nunca se vejam.

Sétimo passo: Receba a notícia de uma breve viagem. E, aos poucos, deixe sua ficha cair.

Oitavo passo: Pegue as músicas de memoráveis lembranças para adicionar ao pendrive do estágio.

Nono passo: Alimente a situação de forma a tomar proporções bem maiores.

Décimo passo: Despeça-se duas vezes - entrando no ônibus correndo, com muita pressa e com um telefonema breve antes do embarque, de forma a não lembrar nada de importante para dizer.