sábado, 26 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
Dos devaneios
Delírios noturnos se confundem com fatos e nada é tão verídico.
Ao mesmo tempo, as mesmas pessoas interrompem os mesmos sonhos.
E a manhã convida para as mesmas horas, costuradas com as mesmas idéias,
dando a chance de criar novos desejos, que entrarão na fila dos sonhos ao anoitecer.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Penso com força até doer, penso na vida, nos meus planos fracassados - o que concluo, esqueço; meus olhos não piscam quando penso. Sinto um calor ondulado, um arrepio sorrateiro no instante que direciono o pensamento.
Por bem ou por mal, na vida ou na morte, escolhas e desistências. Pessoas. Todos os dias penso um pouco em cada um. No meu pai e suas dificuldades, que camuflam suas facilidades, na minha mãe que de tanto abrir mão, hoje se encontra na corda bamba da dependência. Penso e peso os amigos. Os que tanto vejo que não qualifico. Os que se quer falo. Os que amo. Penso no que queria amar. E é nessa hora que me penso. Carente, frágil, mesquinha. Como um sopro, sinto minha característica - palavra fria, pulverizar ao meu redor.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Almanaque
como é que isso tudo começou
Diz quem é que marcava o tic-tac
e a ampulheta do tempo disparou
Se mamava se sabe lá em que teta
o primeiro bezerro que berrou
Me diz, me diz, me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Quem penava no sol a vida inteira
como é que a moleira não rachou
Me diz, me diz
Quem tapava esse sol com a peneira
e quem foi que a peneira esfuracou
Me diz, me diz, me diz por favor
Quem pintou a bandeira brasileira
Que tinha tanto lápis de cor
Me diz, me diz, me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Diz quem foi que fez o primeiro teto
Que o projeto não desmoronou
Quem foi esse pedreiro esse arquiteto
E o valente primeiro morador
Me diz, me diz, um morador
Diz quem foi que inventou o analfabeto
E ensinou o alfabeto ao professor
Me diz, me diz
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Quem é que sabe o signo do capeta
E o ascendente de Deus Nosso Senhor
Nosso Senhor
Quem não fez a patente da espoleta
Explodir na gaveta do inventor
Me diz, me diz, me diz por favor
Quem tava no volante do planeta
Que o meu continente capotou
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Vê se tem no almanaque, essa menina,
Como é que termina um grande amor
Me diz, me diz... Um grande amor
Se adianta tomar uma aspirina
Ou se bate na quina aquela dor
Me diz, me diz
Me diz... Aquela dor
Se é chover o ano inteiro chuva fina
Ou se é como cair do elevador
Me responde por favor
Pra que que tudo começou
quinta-feira, 3 de junho de 2010
corpo de Cristo
Hoje levantei meio atropelada. Hoje é feriado. De que mesmo? Num entendo esse dia. É latim. Arrisco em dizer que poucos entendem. É o dia de pôr a vida em dia. É a vida de pôr o dia em dia. E hoje acordei poesiando mais pra cuspir menos nos outros. Quando escrevo, eu dreno. Ai, cacete, agulha. Entre uma risada e outra eu poesio mais e sofro menos - ou mais? Ah, diabo.
E diabo nada tem a ver com Corpus Christi (escrevi certo?). E cá estamos nós perdidos nos assuntos. Meus sonhos, meus dias, meus amores, ex-amores que são amores, minhas ex-vidas.
"mas agora", pensou a pobre Alice, "não adianta nada fingir ser duas pessoas! Ora, mal sobra alguma coisa de mim para fazer uma pessoa apresentavél."
terça-feira, 1 de junho de 2010
Dezembro II
Uma escuridão.
Uma advertência.
Uma risada.
Duas risadas. Várias.
Vou contar uma história.
Escolhida a dedo.
Dedos. Mãos. Surpresas.
Toques.
Direção errada.
Outra advertência.
Minhocas.
O roçar da barba.
O elogio. O 'continua'.
Uma perna. Duas. Quatro.
Entrelaçadas.
Opa. Desculpa.
Não, tudo bem.
Isso é divertido.
Uma noite.
Um erro.
Tem nojo? Não.
Foi.
