pensar o tempo todo. expandir, trazer à tona e esperar. dar conta de si, do outro, do pequeno e do maior de todos. listar problemas em papel, mente, no que leio do que escrevem, no ouvido de quem (não) presta (atenção), nas letras imantadas do brinquedo, no espelho embaçado do banho, no vidro do carro sujo do vizinho. importa que se tenha do que sofrer mais do que os próprios sofrimentos - que no apagar das luzes são substituídos na surdina por outros tantos mais ordinários que cabem sob a luz do sol.
terça-feira, 13 de setembro de 2022
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
coração na barriga
quinta-feira, 25 de agosto de 2022
você dançando, preenchendo a sala.
quinta-feira, 14 de julho de 2022
24.06.2022
tudo está no seu lugar.
os amores que chegaram, os que partiram.
os que me cercam, o que eu limito.
trabalho todos os dias em nome da ordenação mental. por vezes, me escapa. mas volta. e eu redescubro uma vida bem desenhada, escolhida, amparada.
“a espiritualidade me acompanha”, ela me disse ontem caminhando no sol com o rosto muito branco. e de onde não se espera, vem a lembrança de que não estamos soltos como poeira espanada de um móvel. nem o pó está perdido. somos função todo tempo, ao outro e a nós.
que não faltemos onde somos demandados.
que respeitemos silêncios, alarmes, os choros mal-vindos e a ardência da falta.
a arte desperta tantas dores.
e as dores acordadas me convidam muito a voltar pro que faltei.
segunda-feira, 20 de junho de 2022
para explicar a dor fora do tempo do hoje: rascunho de 24/12/2021 publicado
Nos últimos dias mergulhei profundamente em dores simultâneas. Incerteza, solidão, desamparo. Todos ao meu redor num ritmo diferente do meu, convidando a um comportamento que eu não conseguia alcançar. Perguntas, decisões, posturas. Num dia, sou a mulher em crescente expansão, no outro, a mãe que reluta tempo e espaço para si.
Dia após dia surge a certeza de que a vida está se encaminhando para uma escassez que preenche todas as horas. As alegrias dos meus não me dão sentido, as minhas angústias desconsideradas e o quadro que eu pinto tem cores desbotadas demais para o tudo que eu vivo.
domingo, 6 de junho de 2021
Mas de tanto chegar sem minhas pernas, as perguntas perderam a coragem de ser. E a aprendizagem deu espaço ao silêncio da aceitação. E da separação, fez-se o fim. A oportunidade de ostrar.
Sozinha e sem pressa, o discurso estudioso perdeu significado e forma, dando vez ao exercício de ser. Não estou cabendo em lugar nenhum; não sei se por expansão ou encolhimento. Se por arrogância ou constrangimento.
Pensar Deus e a individualidade.
Investigar a criação e criar.
Estudar para compreender e experienciar.
Tão ocupados com nossa jornada, os dias tem sido tão histéricos... Consigo sentir a energia contida dentro da minha barriga, falando alto em forma de dor. O meu corpo pede uma serenidade que irá me levar pra onde eu fugi.
Percebo que quero encerrar, mas a paz orgasmante de quando encerro as palavras não veio. Então por quê? Ou não me permito maldizer a minha trajetória, ou essa reflexão falhou miseravelmente. Ou é a certeza da minha superficialidade, que insiste - em forma de mãe - em dizer que escrevo mal. Ser muito pouco pra ela sempre foi a minha maior aflição.
