a existência do ódio no nosso amor nunca foi um segredo.
quarta-feira, 24 de maio de 2023
sábado, 20 de maio de 2023
palavras saem de mim a terceiros - que são quase primeiros, que são quase eu - para contar as minhas invenções.
toda memória é inventada - foi o que ela me disse quando me neguei a trazer as histórias do amor primeiro.
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está escuro aqui com muitas vozes ao mesmo tempo, e seus discursos de resgate da caverna que escolhi explorar - e digo explorar porque ia escrever entrar, mas me soou vitimado.
eternos instantes nessas últimas horas pra localizar uma fresta saída de onde ainda posso chegar - e digo chegar porque ia escrever pisar, mas me soou tirano.
na minha frente brotam almas velhas segurando minha mão. as vozes estão ficando roucas e escuto que preciso conhecer o futuro pelo presente.
as vozes alarmam a correnteza que vem invadindo a caverna.
a caverna pertence à ilha.
a tal da ilha que ela me disse com mar revolto no intervalo entre a proxima.
o mar que eu nado sozinha, ou que nado com uma bóia mais pesada que eu.
atravessar águas.
ser atravessada.
ser arrastada.
imagem primitiva.
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o amor primeiro
que recuso evocar.
terça-feira, 13 de setembro de 2022
aquela última ida ao banheiro antes de dormir.
pensar o tempo todo. expandir, trazer à tona e esperar. dar conta de si, do outro, do pequeno e do maior de todos. listar problemas em papel, mente, no que leio do que escrevem, no ouvido de quem (não) presta (atenção), nas letras imantadas do brinquedo, no espelho embaçado do banho, no vidro do carro sujo do vizinho. importa que se tenha do que sofrer mais do que os próprios sofrimentos - que no apagar das luzes são substituídos na surdina por outros tantos mais ordinários que cabem sob a luz do sol.
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
coração na barriga
quinta-feira, 25 de agosto de 2022
você dançando, preenchendo a sala.
quinta-feira, 14 de julho de 2022
24.06.2022
tudo está no seu lugar.
os amores que chegaram, os que partiram.
os que me cercam, o que eu limito.
trabalho todos os dias em nome da ordenação mental. por vezes, me escapa. mas volta. e eu redescubro uma vida bem desenhada, escolhida, amparada.
“a espiritualidade me acompanha”, ela me disse ontem caminhando no sol com o rosto muito branco. e de onde não se espera, vem a lembrança de que não estamos soltos como poeira espanada de um móvel. nem o pó está perdido. somos função todo tempo, ao outro e a nós.
que não faltemos onde somos demandados.
que respeitemos silêncios, alarmes, os choros mal-vindos e a ardência da falta.
a arte desperta tantas dores.
e as dores acordadas me convidam muito a voltar pro que faltei.
segunda-feira, 20 de junho de 2022
para explicar a dor fora do tempo do hoje: rascunho de 24/12/2021 publicado
Nos últimos dias mergulhei profundamente em dores simultâneas. Incerteza, solidão, desamparo. Todos ao meu redor num ritmo diferente do meu, convidando a um comportamento que eu não conseguia alcançar. Perguntas, decisões, posturas. Num dia, sou a mulher em crescente expansão, no outro, a mãe que reluta tempo e espaço para si.
Dia após dia surge a certeza de que a vida está se encaminhando para uma escassez que preenche todas as horas. As alegrias dos meus não me dão sentido, as minhas angústias desconsideradas e o quadro que eu pinto tem cores desbotadas demais para o tudo que eu vivo.
