quinta-feira, 20 de junho de 2024

passado o rubro outono
deu-se alegria em campo aberto
semeadura espontânea de colheita imediata
dos meus frutos antigos
redescobertos

armazenados em bom estado
galhos crescem no meu coração-corpo
como veias de cadencia desordenada
chamam atenção sem alarido
pintam em tons de terra as letras todas
marcam o solo castigado

tem-se aqui e então a poesia fértil
que o destino tratou de cultivar
em liberdade estranha e reconhecida
herança fraterna daquela morreu viva

quarta-feira, 19 de junho de 2024

virei uma avistadora de palavra
umas vem
pousam e partem
outras cagam na minha cabeça em sorte

visitam minha vida casa trabalho
por vezes batem no vidro do eDIFÍCIL espelhado que construí nos anos

avisto também as palavras das pessoas
admiro sua chegança
sua frequência de vir sempre pela manhã
alvor(oç)ando a vida delas com bater de poasas

não mais fazer
ver acontecer
contentar com as cores me atravessando
acreditar silenciar
esperar a história delas
todas encantadas
que não avisam mas se avistam
chegar

terça-feira, 2 de abril de 2024

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

finalmente

isso que se constrói é uma forma de delimitar esse aguaceiro.
não que as lágrimas sejam mal vindas - é que as palavras organizam o que precisa existir e não assenta.
mas preciso é não amansar
o que me atrai é movimento
me interessa então o não enfileiramento de ideias

portanto o que se constrói - pra que esse caminho?
qual é a busca quando me ponho diante de mim?
se não livramento; habitar. 
comungar do medo do enlouquecimento que me livra da coerência.
tornar-se maior na medida que os desassossegos me tomam.
aquele que se livra do desconforto em descarte é o que detém a insanidade.

sábado, 3 de junho de 2023

 é preciso reparar [n]este momento. 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

acordei cantando a enormidade que é a vida. 
e agora triste lembro do tanto que te chamei - e te vi - enorme.
me aninhei no teu tamanho, e você cresceu sobre mim em infinitos aspectos.
te fiz pai, mãe, avó, filho.
te coloquei em todos os lugares da minha vida.
inclusive no meu
te fiz grande sobre os meus olhos, me encolhi.
pra caber nós dois.
eu olho pra saudade do seu cuidado, e lembro que ele tinha um preço.
o preço de ser seu porto seguro a qualquer custo.
foi o produto que vendi pra você desde o começo. 
ser colo, ser ouvido, ser seio, corpo inteiro.
eu olho pra saudade do seu cuidado,
e lembro que enquanto era cuidada, me asfixiava.
um ano inteiro de falta de ar.
da paixão ao sufocamento.
sexo, condição, silêncio.
todos os dias o esforço era de me fazer útil.
e na primeira oportunidade de me colocar em condição de estorvo,
o chute.
a decepção, o sem sentido, a insegurança trazida sem trabalho.

por muito tempo ainda
escreverei textos magoados sobre a vida
como se a vida fosse você, mas não é.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

feita apenas para amar, para viver pelo seu amor e pra ser só perdão. foi ecoando a frase da infância até aqui. da sala para o quarto, do quarto para o caderno, pra folha solta na aula de literatura daquela escola cheia de vidro e inaugurações. para o olhar (minha piada) que seduz o menino nem feio nem bonito da mesa de trás. o amor possível. que é também inalcançável de exaustivo. amor do atropelamento, da derrocada do encantamento. amor que é qualquer palavra dita, que sua o corpo, que cantarola caetano no caminho pro trabalho. mas que também não é exatamente alguma coisa. é um apanhado de comportamentos que olhando de perto não sedimentam nada. 

uma hora dessas resolvi inventar que o amor acabou. 

uma conversa, duas, silêncios, cortes, cenas interrompidas, perguntas sem respostas ou respostas fora do tempo. despeje tudo em forma velha e voilà me encontrei sem alma. sem aquela cafonice de palavra coach que começa com P. carregando água na peneira não na vida toda graças ao bom deus que eu quase acreditei não acreditar.