terça-feira, 6 de abril de 2010

dormindo com Santos Dumont

Você tem 20 minutos? Preciso contar uma história de superação. Uma história cheia de exageros e piadas internas comigo mesma. Mas, acima de tudo, uma história factual. "Oi, por favor, um táxi para 17:15h. Laboratório Servier do Brasil. Obrigada" "Senhora Eleanor, o táxi número 576403983 a aguarda" Se eu soubesse o que viria pela frente? Iria assim mesmo. Foi uma noite quente. No sentido das idéias. Mas passei um frio do cacete naquele lugar dos infernos chamado Aeroporto Santos Dumont. Eram 18:30h quando entrei no saguão principal. Recebi alguns ligações perguntando se tudo estava bem. Caía uma chuva torrencial no Rio de Janeiro. Ricardo, motorista do trabalho, Vera, minha amiga, Monica, minha chefe, meu pai, Fernando, todos me telefonando, questionando se iria mesmo. Fui para fila fazer meu check-in. Atrás de mim, um homem alto, careca, blusa estampada, um casaco de lona, uma mala "frágil" e um sorriso: "Essa gravação só repete o que a gente já sabe". Sorri e fui atendida. Feliz da vida, fui adiantada para o vôo de 19:40h e chegaria em São Paulo antes do previsto. Dava pra assistir mais de dois episódios de Friends (a 4ª temporada estava na mala...) Eram 20:40h quando ainda estava no salão de embarque. Com 9 reias, comprei um sanduíche natural de peito de peru com coca-cola. Ouvia Rita Lee e lia Chico Buarque. Excelentes companhias. Do meu lado, sentou o cover do Patrick Swayze, indo pra Vitória - ES. Do outro lado, uma leitora de "Morro dos ventos uivantes". Carol, 28 anos, minha alma gêmea. Exceto por morar no Leblon. Tínhamos o senso de humor idênticos, a mesma gargalhada e o nariz escorrendo de crise alérgica. Fã de FRIENDS, doente por Crepúsculo (segunda diferença). Logo a seguir descobri que lia aquele livro porque era o favorito de Edward e Bela. En-fim. Eram 21:30h quando o cara simpático check-in surgiu. Sai Patrick Swayze, entra ele. "Posso tirar uma foto sua?" (é cada um que me aparece, pensei) "Pra quê quer uma foto minha?" "Pra registrar essa noite inesquecível" "Prefiro que tire foto do meu pé, todo picado de mosquito" "ok". Diálogo de nada serviu, quando dei por mim estava às gargalhadas com Johann Bécker, sendo fotografada e fotografando. Uma Nikon que pesava, sei lá, uns 3 quilos. E lá fui eu, câmera em punho, fotografar o aeroporto. A chuva não cedia. O humor também não. Eram 22:30h quando entrei no avião. Emocionada, louca para pôr os pés no quarto do hotel, dormir em paz para viver o dia seguinte com dignidade. Mais tarde saberia que "dia seguinte" e "dignidade" não entrariam na mesma frase. "Senhores passageiros, por motivos metereológicos, o aeroporto encontra-se fechado para nossa decolagem. E, para piorar a sitação, o Santos Dumont não opera após 23h. Boa noite" Sempre achei graça nesses informalismos de piloto de avião/barca. Hoje, não. (Adiantando) Eram 01:20h quando estava pela segunda vez no check-in. Vôo para 08:10h. Nessa fila, que deveriam ter umas 600 pessoas (sem exageros), conheci uma galera boa. Conheci Mariana, 23 anos. Minha segunda alma gêmea. Formada em jornalismo pela Uerj, tá morando em SP, trabalhando no setor de vendas da Nestlé, na área de produtos terapêuticos. Dona de uma risada fofa, um vestido mais fofo ainda. Cedeu seu edredon pra eu sentar enquanto aguardava ser atendida. Com o vôo já remarcado, liguei para Laura Lamas, que mora em Laranjeiras. Ela fez a caminha pra mim, mas os fucking shit motha fucka bitchs dos taxistas não quiseram nos levar. Falo na primeira pessoa do plural, porque daí em diante entra o Johann grudado nos meus passos. Ele tem um apartamento em Laranjeiras também. Esse lugar, inclusive, foi me oferecido com insistência. Nem comento isso. Eram 02:16h quando desisti de sair do aeroporto. "Johann, me dê licença. Vou ao banheiro escovar os dentes e dormir." Meu amigo se encostou num canto qualquer e apagou. Não a noite toda, pois dificilmente um adulto beirando seus 50 anos dorme um noite toda. Que dirá no chão. Escovei meus dentes, vesti minha blusa de Avatar - que era pra ser do Raphael por mérito, coloquei meias, me enrolei na paximina, pus meu tapa-olho curitibano, enfiei a bolsa de mão na mala, coloquei celular pra despertar e capotei no chão, pernas por cima da mala por hábito e precaução. Acordei com a gravação "ANVISA informa"... Pros INFERNOS, ANVISA! Levantei com Johann me acordando "me empresta 2 reais? o caixa eletrônico tá fora do ar..." Ok. Ele retornou com um café com leite quente e acolhedor. Poderia classificar esse momento de diversas formas, mas prefiro não. Fui até o banheiro, lavei o rosto, dei bom dia às pessoas com ar taciturno. Por uns instantes parecia hotel. Mas alguns minutos mais tarde voltei a me senti gravando "O Terminal" ou "Ensaio sobre a cegueira". Eram 08:00h quando notei que não iria mais pra SP. Já tinha visto de um tudo. Até a Rita Cadillac. Virei amiga de uns dos diretores do Banco Real. Um fofo. Literalmente. Nessa manhã Johann me convida para viajar pra Fortaleza. Como convidada para o Festival de cine digital. Cacilda. Onde eu fui parar?! "Fique tranquila, um quarto só pra você. Você merece pela companhia maravilhosa que foi essa noite". Meu Deus, como isso pegou mal! Eu queria sumir. Mas ao mesmo tempo vivi intesamente cada minuto. Foi aí que desisti. "Amigo, quero ir embora. Me dê minha bagagem" "Me acompanhe" Fui até setor de bagagem, conheci uns funcionários animadérrimos. Uma noção? Depois de esperar 10 min minha mala, estava sentada no balcão ouvindo piada e tomando água. Quando Renê chega com minha mala, vem junto uma outra bem conhecida. A mala de Johann. Cheia de equipamento. Se eu fosse má, poderia ter levado embora aquilo tudo. Mas não queria mais vínculos. A questão, entretanto, é mais sério do que se imagina. E se fosse ao contrário?! A mulher do check-in entendeu que estávamos juntos em viagem e despachou tudo junto. Céus... Eram 11:00h quando fui pra fila pegar reembolso. Queria banho, comida, queria dormir, queria fazer número dois. Conheci mais pessoas. Duas cariocas/nordestinas, uma mocinha trabalhadora de Nilópolis, que deixa sua filhinha de 3 anos com a mãe pra ela viajar pra Vitória, conheci um menino lindo de Goiânia que trabalha na Floresta Amazônica, mas que ganhou férias de 3 meses pra viajar pelo Brasil, conheci um cozinheiro mineiro animado também. E vi Dan Stulbach. "Sopapos" para alguns, "Tom Hanks" pra outros. O que importa é que pra completar meu 'ciclo de esbarrar com meus favoritos' falta só o Chico Buarque e o Johnny Depp. Wagner Moura já foi. 3 vezes. Eram 12:30h quando finalmente podia ir embora. Me senti alforriada. Fui ate um táxi qualquer "moço, me leva pro meier?" "impossivel" "e pra cinelândia?" "tambem não" "moço, pra que você tá aqui entao?" E saí. Quando, de repente... avisto "Taxi Méier". "Moço, me leva pro Méier?" "Pra lá, eu levo". Eram 14:00h quando estava de banho tomado, macarrão no estômago e de pijaminha. Sem conhecer São Paulo, minha cidade submersa, sem aula, sem trabalho, mas com uma sensação de vida bem vivida danada. Boa noite.

domingo, 28 de março de 2010

Yesterday

Yesterday
All my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh, I believe in yesterday

Suddenly
I'm not half the man I used to be
There's a shadow hanging over me
Oh, yesterday came suddenly

Why she had to go I don't know
She wouldn't say
I said something wrong now I long
For yesterday

Yesterday
Love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday

Why she had to go I don't know
She wouldn't say
I said something wrong now I long
For yesterday

Yesterday
Love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday

Lennon / McCartney


Comentário pessoal: ainda sofro, ainda dói, mas já não penso mais no recomeço.

quarta-feira, 17 de março de 2010

matando a saudade da pior forma

"Preciso não dormir

Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu."

domingo, 7 de março de 2010

iracema querendo voar


É o tipo de sentimento que até daria pra fazer uma poesia.
Mas isso se não tivesse tomada de um ódio amoroso esquisito.
Vontade de sumir pra viajar e pensar que diabos faço e fazem de mim.
Após uma noite de todo o sentimento, depois de vívidas horas vividas,
sem medo de envolvimento, sem noção de certo ou errado, com a carne trêmula e a pele borbulhando em ternas sensações, surge o novo velho medo do passado.
Se não bastasse minhas intrigas pessoais, minhas discussões internas, tinha você de aparecer e revirar minhas dores e minhas fraquezas.
É quando pergunto até quando vou viver nessa corda bamba de sentimento, oscilando entre saudade, raiva, amor, medo e vontade de fugir.
Tenho mil coisas pra te dizer, pra viver, pra te cuspir.
Tenho a certeza do envolvimento errado, mas insisto nessa reta mais fácil de seguir.
Sem as curvas dos seus pensamentos difíceis de entender.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

querido

Ando sem pressa de amar.
Ando sem vontade de sofrer.
Decidi dar chance a você, ao que se sente sinceramente.
Se vão apoiar, não sei.
Se vai magoar, talvez. Mas isso não importa. Vale o quanto pesa e o quanto se deseja.
Aos poucos, lentamente, semeando o sentimento, acreditando na sua verdade.
Lentamente vamos vivendo, acontecendo e nos entendendo.
Simples desse jeito. A gente não se ama, a gente não se cobra, a gente nem sabe o que aconteceu.
Mas estamos juntos pra vida nos levar como tiver de ser. E será.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

faca amolada

hoje, como todos os dias senti vontade de escrever. senti vontade de cuspir palavras sem pensar, sem colocar o shift, sem refletir na consequência e nos erros do português da madrugada.
hoje vivo um pouco mais, respirando um pouco mais, sofrendo um pouco mais. vivendo o sofrimento romântico, daqueles que querem morrer de amor. vivo declarando minha alma ao diabo e ao mundo sem pensar nos 'nãos' e risadas. respiro o ar dos apaixonados por si e por todos. dos que se entregam sem medir e vomitam o arrependimento no final. vivo a paz dos amantes, vivo o choro dos desiludidos, vivo o caminho próprio e o do outro. corro contra a ventania e meu rosto se arranha com a poeira dos delírios de uma vida sem interrupções, impetuosa e desregrada. não receio, não temo, não paro. eu corro, abraço, encanto e desencanto. eu suspiro por tantos e por ninguém. eu procuro gostar odiando, repudiar querendo. eu pouco me entendo, mas compreendo como ninguém. eu descubro os limites pelo mero prazer de ultrapassá-los. não sei mais que tipo de gente sou e onde me classifico. eu perdi a vontade de me rotular. eu não me enquadro mais no mundo. eu reclamo e volto atrás. eu peço desculpas sem medo, mas sem sinceridade também. eu magoou sem culpa. eu piso. eu mordo, assopro. conquisto e corro. eu sinto vergonha por fora, gargalho por dentro. eu gosto da maldade, da maledicência. eu não interrompo minha mente. eu aprovo meu raciocínio e estimulo. eu desci do muro, me arranhei toda, espanei a fuligem e corri.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Querido diário,

Estou pequena.
Estou mesquinha e medíocre.
O mal falar escorre entre meus dentes e sinto vergonha.
O desgaste da vida alheia percorre meus dias e eu desvalorizo o tempo.
A sinuosidade do meu caráter assusta. Conquista e escapa. Semeio dor e desprazer.
Eu perdi a essência e desenterrei o fascínio pelo pequeno. Por despudor.
Eu perdi o medo.
Eu dei as mãos ao perigo e subjuguei o amor.