terça-feira, 19 de maio de 2009

exílio lírico


No anseio de encerrar estes versos

Que me enraízam em claras noites no assento

Procuro palavras adequadas

Que de tão rudes, às vezes, lamento.



Há muito me questionam sobre voltar a escrever.

Nesse meio-tempo fiquei pensando em que momento eu realmente escrevi.

Quando ouço tais pedidos sinto-me cronista aposentada de jornal de grande circulação; quando não, penso que me fazem de chacota e aguardam aquelas palavras vazias para rolarem de rir.


Afinal, onde foram parar as palavras que tantas vezes arrancaram-me beijos apaixonados e galanteios fugazes?

Que diabos fizeram da minha veia literária? Por que cargas d'água permiti que se entupissem de frieza?

Procuro uma estatina capaz de limitar a formação dessa estupidez irreversível. Desespero-me ao deparar com a total incapacidade de escrever, e o mundo emulsionar na minha frente.

Quase cinco anos de mudez.







Um comentário:

  1. Querida, vc tem que entender e aceitar que é uma escritora e dps é mais alguma coisa...
    Pode ser escritora e aluna, escritora e estagiária, escritora e farmacêutica, professora, artista plástica, astronauta...
    Mas, o que vc é, é ser escritora.
    Eu demorei mto a entender, a compreender que eu não sei cantar, que não sou boa em química e que não falo tão bem inglês, além de não saber tocar nem campainha, demorei a entender que a única coisa que eu faço é escrever.
    Amiga, entenda, veja e assuma, qdo fizer isso, vai ver que as palavras estão aí, mais palpáveis que os nossos átomos e moléculas e que vc é uma das poucas pessoas no mundo que elas amam. Aproveita isso, pq o seu dom é escrever.
    Pensa como seria triste se Dali não desse as pinceladas dele, ou se a Elis não pulasse enquanto cantava, ou se o Vitor de orgânica 5 não se emocionasse com aqueles carboidratos (que só ele acha bonitos)... pensa nisso...
    Te adoro!

    ResponderExcluir