domingo, 2 de julho de 2017

mas é longe, mesmo por perto


procure deixar vivo na memória os nãos que ele te disse, mesmo sem dizer nada.
ainda que em meio a tantos sim

mesmo que isso não signifique o não amor.
nem dele, nem teu
há amor nos olhos dele.
no rubor do rosto.
tudo é autêntico, e você pode acreditar no coração que vê
pode acolher o sorriso de segunda
não precisa duvidar do lamento disfarçado de alegria na sexta
pode e deve, inclusive, seguir amando
aquele amor gratuito sem moedas
que você sabe que é raro
mas que se orgulha
e se estrepa - por sentir

amor pode vir naquele formato que não encaixa no buraco do seu peito.

ele pode rir
ele pode nem por mal não fazer
só não pode você esquecer
das não respostas
da comunicação pouco clara
das pequenas vergonhas
das vezes que ele se divertiu com seu mal jeito do onde se sentar
onde você se perguntava se valia mais encostar a perna ou o braço
se valia o olho em linha reta
ou a orelha e barba de perto
de onde o vento vinha trazendo o perfume dele

não se esquece nunca dos silêncios que ele te obrigou encarar
e que te levou pra tantas elucubrações sem respostas

tem areia demais no olho, e está foda de enxergar a vida com clareza
mas não se canse de procurar, enumerar, relembrar
de todas as oportunidades que ele teve te poupar, cuidar. alertar.
se responsabilizar também por esse jogo de palavras não ditas.



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